CassioN

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Da euforia à depressão.

Hoje completo 100 anos. Apesar de um dia especial, hoje sou como todos os outros dias: apaixonado e movido por esse amor que só aumenta.

Tentado a torcer por qualquer clube, não houve um que naquela época encantasse os meus olhos que mal sabiam o que era futebol como aquele alviverde que finalmente os mostrava o que o futebol era. Porque não era apenas futebol, era química. Uma química que só meus semelhantes tiveram o privilégio de descobrir e que não se explica. É algo que reage, que arde por dentro e se exala pelos poros.

Minha vida tem Palmeiras, que como diria Mauro Beting, nada mais e nada menos, simplesmente porque isso basta. Tem Palmeiras todos os dias. O que me cativa, que me move e que me emociona se nele ficar pensando mais de cinco minutos. Aquele que cujos ídolos me arrancam lágrimas mesmo sem querer. Aquele que me fez ter orgulho de usar uma camisa. Que me ensinou a chamar um homem de santo e outro de divino. Santo aquele que, não tenho vergonha de assumir, até hoje não tive coragem de assistir à sua coletiva de despedida. E provavelmente não terei. Tem Palmeiras porque não fui eu que escolhi. Eu fui escolhido.

Vi pouco. Pouco este que qualquer um no mundo considera muito. Pouco porque hoje sou jovem. Hoje completo 100 anos.

E se acaba a Copa do Mundo para o Brasil, mas que não se iludam aqueles que dizem “que fique a lição”, porque não ficará. Há quatro anos nós falávamos as mesmas coisas, sobre a mesma prepotência, mesma arrogância, mesma falta de responsabilidade. Não é mais uma questão de aprender uma lição. A lição já foi dada. 7 a 1. Foi a “Copa das Copas”, como alguns gostam de chamar. A Copa dos recordes e tabus quebrados. A Copa que, assim como cada uma das cinco estrelas, como a decepção de 50 e como a esperança de 82, ficará marcada na história do torcedor brasileiro.

Copa armada? Comprada? Que nada… Desculpas que soam como nossa comissão técnica ao tentar fugir de uma questão feita.

Enquanto num longínquo tempo onde o mundo parava para nos assistir, guerras paravam para ver um tal de Pelé jogar, pessoas aplaudiam em pé o espetáculo e magia do que só nascia aqui dentro em Terra Adorada, hoje vemos um grupo de jogadores, que não merece e nem aguenta o peso de uma camisa amarela, sair cabisbaixo enquanto, ironicamente, sua própria torcida aplaude em pé, dentro de casa, aqueles que jogaram como adultos perante crianças.

Não é tempo de aprender lição. É tempo de se renovar. É tempo de parar de empurrar a sujeira para debaixo do tapete e reciclar tudo e todos. Porque se em teu futuro espelha essa grandeza, passou da hora. E infelizmente, este último parágrafo, serve para muito mais do que apenas futebol, que é uma das mais insignificantes bênçãos que este país tem.